30 Maio 2009
Falível
e sim desejo de alegria,
exorcista da nódoa,
da mácula,
cicatriz,
tatuagem,
falha,
estigma.
O que se perdoa.
29 Maio 2009
26 Maio 2009
Ao amigo Barreto
por isso sofremos
imensamente.
Somos seres postergadores.
Com certeza,
guardamos na algibeira
muitos planos de eternidade;
repentinamente
fura a algibeira...
Mas, puxa!
Faltou retribuir
aquele jantar
ao meu amigo,
dizer-lhe mais algumas vezes:
o tenho como um dos prediletos escritores
da língua portuguesa.
Imergir
na sua escrita,
é poder apreciar o cimento
do vocábulo matemático,
adequado ao serviço
do catador de cotidianos:
Barreto ou Geraldo Maciel.
Waldir Pedrosa
terça-feira, 26 de maio de 2009
28 Março 2009
Os ritos que passaram.
Nossa mãe
dá-me um Diamante Negro
eu perdi
o gosto dos chocolates
do chá preto com torradas
na Casa Matos
da Geléia de Mocotó Colombo
dos Tostines
dos biscoitos Du Chen
e do Cachorro Quente da Casa dos Frios.
Nosso pai
vamos tomar o Leite Maltado
na Galeria do Recife passado
ou o Caldo de Cana
na moenda, com gelo e
peneirado.
Roletes de cana, de cana caiana, rolete patrão, é três um tostão.
Quem sabe,
aquele prato de Chambaril
ou aquele outro de Mocotó,
melhor ainda, uma Rabada de Boi
e uma cerveja bem gelada.
Nossa mãe e nosso pai
vamos almoçar uma dobradinha com feijão branco
no domingo
cheia daqueles nomes tão bonitos,
dado ao miúdo dos ruminantes.
No outro domingo
uma galinha bem gorda, com cabidela,
meus serão
o fígado, o coração a moela e o sobrecu,
feijão, farinha, arroz, pimenta
e bastante osso,
eu gosto de roer, até a vida!
Quem dera
no outro final de semana,
cheguemos cedo
para espreitar
o vendedor de caranguejo
no Mercado da Encruzilhada.
Quem sabe em Olinda
ainda encontre agulhas fritas
e em Rio Doce
uma posta de Cavala.
Nossos pais,
sinto a falta
dos sabores amigos,
das ternuras com endereço,
dos laços sequer escolhidos.
Ficaram todo este tempo
escondidos
e em sabores
os tenho a debulhar.
Pouco me resta,
a casa da infância
está repartida, desfigurada
daqui a pouco
terá desaparecido
na tarde
como
calavam as cigarras
tão logo
a noite sorrateira
descia
lá no quintal.
Waldir Pedrosa Amorim
24 Fevereiro 2009
Manhã de Carnaval
Um sussurro de vento
Um oceano diverso
Ninguém há
Um pescador longínquo
Vela o mar
Praia do Bessa
Manhã de Carnaval
Waldir Pedrosa Amorim
31 Dezembro 2008
O CONHECIMENTO DOS HOMENS
Vasculhando
Combinações imprevisíveis.
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SERVENTIA
Entrelaçado para o desaninho
Instante do vôo.
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LIÇÕES DO AMOR
Não clausure
Não se justifique
Nem penoso e árduo seja.
O amor é
Ninguém se dá conta
De que seja tão bom.
INCOMPLETUDE
como se os instantes
nada mais entendessem que de despedidas.
Como se o alfaiate que confecciona,
ficasse nu a cada entrega e,
desabrigado do frio, restasse
o tecelão.
As Palavras
as palavras,
entremeio de éter e de argila
denunciam o ontem
o amanhã,
a realidade
e as quimeras.
O Tempo e o Poeta
não sou atemporal
sou bizarro,
misantropo,
quasimodesco.
não estou aqui
nem vivo agora
sou instantes do ontem
sou miçangas do amanhã
sou poeta.
03 Agosto 2008
FOTOGRAFIA
inquieto até,
calmo instante,
brado sem voz.
28 Julho 2008
Alado

costurou
um tempo
de asas sem cera.
Não me leva,
nem te traz.
Nos propõe.
15 Julho 2008
A feminina nuca.

Os cabelos
enrolados
despiam-lhe a nuca
expondo a penugem
e a raiz das melenas.
Vislumbrei
o pescoço de uma garça
e o seu branco córrego,
vórtice sensual.
Altiva e grácil
a silhueta
tornara-se
deleite e súplica.
E o que mais fosse
seria despenhadeiro;
e o que mais falasse
era rubor, era entrega.
Waldir Pedrosa Amorim
Fotografia : Audrey Hepburn Fonte: http://www.classicfilmstars.com/hepburnaudrey.htm
14 Julho 2008
CAFÉ




As auroras
contidas
no fundo de uma xícara
espargem odor.
A dor matinal
de café preto
devassa coanas adormecidas.
Faz sair do estado dormente
conjecturas,
retraços de alcova.
Lençóis, travesseiros,
um corpo sulcado,
ensarilhado
foi desmanche despojado da noite.
Desperta adoentado
com seus apetrechos
que sustêm a força
do espertar.
Pijamas rotos, macios,
pele, da pele íntima,
guardam
as inhacas do corpo sonâmbulo.
Teimosas,
não se desgrudam da sedução noturna,
não abandonam olores e vícios de leito.
Despolpada do silencio e da calmaria,
a alma,
flor noturna, dama da noite,
se acumplicia
de um trago da bebida arábica.
Torrada,
mitigada em fino grão, ou pó, ou cinza,
escoa hidratada
em néctar infundido e premido.
É o alvorecer do dia,
antes da plenificação das matinas.
É tônico,
é apenas desjejum
para quebrar a fome, e,
ainda é arremate
e ainda é o galo e o despertador
prenunciadores das manhãs.
É o ancestral açoite químico da jornada.
Waldir Pedrosa Amorim
07 Maio 2008
06 Maio 2008
Doce Mistério
Camille Claudel, Torse de Clotho, vers 1893torse, modèle en plâtre Musée D'Orsay.
Há um espaço
fora do espaço
um tempo
fora do tempo
onde quem
perdeu a memória
o contato
não perdeu
um e outro.
Waldir, maio de 2008
Il y a un espace
hors de l'espace
un temps
hors du temps
où celui
qui a perdu la memoire,
le contact,
n'a perdu
ni l'un ni l'autre.






